O blog do CONECTA CONSULTA entrevistou Doutor Rodrigo Kikuchi para entender melhor o conceito de telemedicina e quais transformações ela já está trazendo para a realidade do atendimento médico. Também esclarecemos dúvidas sobre legislação e a relação dos planos e das operadoras com a saúde digital. Confira!

 


Doutor Kikuchi, devido à pandemia da Covid-19, temos escutado falar muito sobre a telemedicina. Mas o conceito não é novo e sabemos que o senhor pesquisa o assunto há anos. Poderia, então, definir exatamente o que é telemedicina? É somente fazer uma videochamada com o paciente?

A telemedicina envolve um ato médico que é a ação do profissional de saúde junto ao seu paciente. Uma videochamada pura e simples é uma interação do médico com seu paciente, mas não pode ser considerada um ato médico nem telemedicina. Para ser válida, a prática da telemedicina deve ser realizada com uma ferramenta adequada, que atenda uma série de exigências e que permita, inclusive, que o médico seja remunerado.

 

Por que é necessário usar uma plataforma especializada em telemedicina? O médico não pode atender o paciente através do Skype, do Zoom ou até do WhatsApp?

A telemedicina exige uma série de fatores relacionados à segurança, pois envolve a transmissão de dados sensíveis, que são informações sigilosas geradas pelo médico e pelo paciente durante a consulta ou avaliação em saúde. A necessidade de ter um ambiente seguro e o cuidado com a proteção e transmissão destes dados torna fundamentais as plataformas de telemedicina na hora de realizar o ato médico conectado. Skype, Zoom ou WhatsApp não foram criados para este fim e nem estão preparados para abrigar a relação próxima e de confiança que o médico tem que ter com seu paciente. Então, minha recomendação é realizar seus teleatendimentos em plataformas próprias para a telemedicina.

 

Os tempos de isolamento trouxeram uma grande transformação na forma como vivemos. Os médicos, por sua vez, estão diante de um novo paradigma. Na sua opinião, como a medicina será praticada no futuro? A telemedicina veio para ficar ou é apenas circunstancial?

A Covid-19 impôs uma mudança drástica no comportamento de toda a sociedade e também do médico. Ela acelerou um processo que já vinha modificando a relação do médico com o paciente e que foi ocasionado pelas mídias sociais, que transformaram a forma como nos comunicamos e nos relacionamos. Graças à evolução tecnológica, as ferramentas que temos à disposição estão mudando rapidamente. A pandemia demandou que a telemedicina fosse uma realidade, mas, quando você entrega um benefício para as pessoas, é muito difícil tirá-lo depois. Então, apesar de chegar de forma abrupta e por uma circunstância especial, a telemedicina veio para ficar. A gente não consegue retirar um benefício. O que podemos fazer é regulamentá-lo.

 

Então, o senhor acredita que com o fim da pandemia voltaremos a discutir a telemedicina em termos legais?

Certamente haverá uma nova discussão e uma nova legislação sobre telemedicina porque a legislação emergencial ocasionada pela pandemia é incompleta e não será suficiente. Mas não haverá retrocesso em relação a possibilidade de se executar a telemedicina. O que vai acontecer é uma lapidação da legislação para que a prática da telemedicina seja cada vez mais solidificada e transmita ainda mais confiança aos seus usuários: médicos, pacientes e fontes pagadoras.

 

Como será a relação entre médicos e pacientes? Não haverá mais olho no olho? O contato será sempre intermediado por uma tela ?Você não acha que o paciente pode se sentir inseguro com esta nova realidade de atendimento?

O comportamento muda conforme a tecnologia e nossa vivência no dia a dia. Hoje, por exemplo, é comum comprarmos um produto pela internet sem termos tocado, coisa que não se imaginava no passado. Toda experiência e as diversas interações entre os seres humanos se modificam de acordo com a tecnologia. Não vai ser diferente com a relação entre médico e paciente. O que não pode mudar é a confiança que define esta relação.

 

A nova realidade de atendimento será incorporada e o paciente deve ter a capacidade de aceitar a telemedicina, assim como o médico precisa saber se aproveitar dela para conseguir transmitir, da mesma forma que faz pessoalmente, a segurança através de uma tela. Porém, este é um aprendizado que tanto o médico quanto o paciente deverão passar e, para isso, alguns paradigmas deverão ser quebrados, principalmente, do lado do médico.Tem gente que imagina que a telemedicina exija sempre grandes desembolsos, equipamentos caros, o que não é verdade. Temos uma série de possibilidades para realizá-la com um investimento financeiro zero. Para atender seus pacientes em uma teleconsulta na plataforma Conecta Consulta, você só precisa de um computador com acesso à internet. Mais nada.

 

Um medo presente na classe médica é que a telemedicina acabe diminuindo a remuneração dos profissionais de saúde. Isso pode acontecer?

Pode acontecer, mas aí surge a necessidade da participação dos médicos como entidade de classe através dos seus conselhos, do seu relacionamento com seguradoras, operadoras de saúde e convênios, mostrando que o teleatendimento é um ato médico por si só. Ele tem que ser justificado como se fosse uma consulta e, por isso, a remuneração não poderia ser menor. Há a necessidade de trabalhar um acordo entre os profissionais de saúde, fontes pagadoras e os próprios pacientes. A questão é a entidade médica mostrar o quanto a ferramenta está sendo útil e não deixar a remuneração diminuir. Não é colocar a pressão toda em cima do médico, mas sentar e realmente conversar. Com a telemedicina, o médico é quem menos terá seu trabalho reduzido. Muito pelo contrário, ele vai manter a qualidade do atendimento e sua dedicação ao paciente será da mesma forma. Ao passo que o paciente não terá deslocamento e uma série de custos que envolvem uma consulta presencial serão reduzidos. Então, por que nós, médicos, teríamos que diminuir a remuneração justamente de um serviço que não será menor? Embora seja um medo real e válido, eu acho que temos vários argumentos para defender que esta redução não aconteça.

 

Você tem ideia de como os planos de saúde e as operadoras vão se relacionar com a saúde digital? O que já está em andamento e como será o futuro próximo?
O processo de saúde digital já está no escopo das operadoras e convênios, desde os grandes até os pequenos. Quando se fala de saúde digital, não estamos falando somente em transformar prontuários de papel em eletrônicos. Estamos falando de uma mudança de comportamento onde a instrumentalização para realizar uma prática passará por ferramentas tecnológicas que envolvem a digitalização. Esta nova mentalidade precisa estar presente no presidente e na diretoria e também nos colaboradores. O impacto ao lidar com situações digitais será cada vez mais natural como as que envolvem, inclusive, o exame físico. Por exemplo, para aferir a pressão, você não precisa necessariamente de uma pessoa, o processo pode ser feito digitalmente. O armazenamento e controle destes tipos de dados já estão transformando a assistência à saúde, deixando-a mais rápida e precisa e melhorando as condições de vida da população. Eu noto que a saúde digital está começando a ser abraçada por todos os setores da sociedade, não só os planos e operadoras, porque gera uma série de facilidades e pode melhorar o sistema de saúde como um todo.

 

A telemedicina pode salvar vidas ou nós ainda precisamos de um médico em carne e osso para isso?

Esta questão filosófica de médicos salvando vidas, eu vejo de forma mais abrangente. Qualquer ser humano é capaz de salvar vidas. Se pensarmos na evolução tecnológica, antes precisávamos do médico para fazer uma ressuscitação e dar choque no coração do paciente. Hoje, qualquer pessoa treinada – inclusive quem não é agente de saúde – pode fazer o mesmo procedimento porque basta colocar duas placas e um adesivo no peito do paciente. Agora, imagina se a pessoa, que está tendo um infarto, possui um smartwatch capaz de detectar a arritmia cardíaca e disparar um monitoramento à distância. A leitura da arritmia fatal dispara, por sua vez, um drone que voa a 120 km/h na direção do paciente porque já possui a localização dele. O drone chega rápido porque não enfrenta trânsito e pousa ao lado do paciente. Um alarme toca e qualquer pessoa que esteja por perto pode colocar as pás de choque porque será orientada por um médico presente virtualmente através da tela do drone. Então, se a telemedicina pode salvar vidas? Eu acho que nossa própria evolução como desenvolvedores de tecnologia salva cada vez mais vidas.

 

 

O CONECTA CONSULTA é a plataforma de Telemedicina que integra médicos, pacientes e todo o sistema da saúde. Garantimos mais tecnologia no acesso à saúde, possibilitando o atendimento médico mesmo durante o isolamento social. Venha para a telemedicina. Experimente atender seus pacientes usando a plataforma CONECTA CONSULTA.