Acompanhe a segunda parte da entrevista que o Doutor Rodrigo Kikuchi concedeu para o blog do CONECTA CONSULTA. Conversamos sobre as possibilidades e limitações da telemedicina, sobre como será a adaptação das várias especialidades médicas e quais áreas serão estimuladas neste novo cenário.

 


1) Há várias especialidades na área médica. Tomemos o exemplo de uma mãe que precisa ir à ginecologista e leva os filhos ao pediatra ou pneumologista. A consulta das crianças é possível fazer online, mas a da ginecologista como seria?

 

Como fazemos parte de uma sociedade latina, a questão do toque sempre aparece. Mas sabemos que ele nem sempre é necessário. Uma teleconsulta não necessariamente substitui a consulta presencial. Muitas vezes, as duas são complementares.


Se o pneumologista precisasse ver a garganta das crianças, perceberia uma limitação no atendimento online. Já a ginecologista não conseguiria fazer uma colposcopia ou um exame íntimo, mas poderia analisar uma ultrassonografia em um teleseguimento. Então, pode acontecer ao contrário do que você supôs.


De qualquer forma, é importante o médico perceber a limitação da ferramenta e solicitar consulta presencial toda vez que houver a necessidade do exame físico ou de coleta de material. Pelo menos, por enquanto. Digo isso por causa da “Internet das Coisas”: uma série de novos aparelhos conectados que vão poder complementar o exame físico mesmo à distância. No momento, isso é limitado e obviamente os novos instrumentos precisarão ser validados. Mas com a evolução tecnológica, ao longo dos anos, teremos novos devices capazes de melhorar o exame físico à distância.

 

2) Como o senhor acha que cada especialidade se adaptará a telemedicina?

 

A adaptação vai variar muito, dependendo de cada região e da mentalidade dos médicos. Existem áreas que são “early adopters” por causa da própria personalidade dos médicos que fazem esta especialidade e buscam tecnologias de forma mais rápida. Posso dar como exemplo os clínicos dermatologistas que tem a tendência de estar próximos às inovações tecnológicas. Os cirurgiões, por outro lado, são mais conservadores porque dependem mais de um exame físico durante a consulta. Além disso, também vai influenciar na adaptação a participação das entidades de classe e das sociedades de especialidades e, neste caso, questões políticas podem estar envolvidas.


3) Poderia nos falar um pouco sobre o papel da telemedicina no tratamento de doentes crônicos com diabetes e hipertensão, por exemplo?

 

O teleseguimento de pacientes que precisam ser avaliados de forma crônica é hoje um dos principais papeis da telemedicina, onde ela mais se encaixa. Imagine que eles precisam ser monitorizados sempre pelo médico, às vezes, para ajustar doses de medicamento. A monitorização poderia ser feita pela telemedicina: não só a teleconsulta, como também o telemonitoramento.

No caso do paciente diabético, existem medidores de glicemia que se conectam nos smartphones e o médico tem acesso direto a este controle. Não precisa mais furar o dedo no consultório, usar a tirinha e anotar o valor. Você faz uma leitura à distância pelo smartphone e automaticamente os dados ficam armazenados no aplicativo e são transmitidos para o médico. E melhor: a monitorização pode ser mais vezes, mostrando um resultado muito mais próximo à realidade e para ajustar o medicamento, o paciente não necessariamente precisa fazer uma consulta presencial.
Imagina o impacto positivo na vida desta pessoa se ela morar em uma cidade como São Paulo e não precisar mais se deslocar quinzenalmente para fazer o controle durante a consulta presencial.


4) Também escutamos que a telemedicina pode estimular a segunda opinião médica. O que o senhor acha sobre isso? Quais outras áreas seriam estimuladas com o atendimento virtual?

 

Muitas vezes os médicos veem a segunda opinião como um confronto. Eu acredito que, com a facilidade de transmissão de dados e com a discussão à distância, possamos encontrar juntos uma conduta que traga mais benefício ao paciente. Como diz aquele ditado: duas cabeças pensam melhor do que uma e, se tiverem ideias diferentes, estas somadas e discutidas podem chegar à uma conclusão mais adequada.
Além da segunda opinião, haverá uma maior possibilidade de interação entre os médicos e de discussão de casos.

Outra área que também vai crescer é o follow up - o seguimento dos pacientes – com a intensificação e não a diminuição do relacionamento médico-paciente. Ou seja, com a telemedicina, a relação médico paciente será estimulada.

 

Também serão estimulados os exames complementares como eletrocardiograma, a leitura de exames de imagem e a discussão sobre diagnósticos patológicos. O conhecimento será mais compartilhado e aproveitado. Porque ele pode surgir em qualquer lugar, em qualquer consulta, mas nem sempre de forma precisa. Não existe uma verdade absoluta na medicina. Mas a discussão das informações será enriquecida. Então, a área de educação dentro da Medicina, sem dúvida nenhuma, será estimulada.

 

5) Um artigo no portal UOL pontuou que 30% dos estudantes de medicina não querem ser médicos e sim empreendedores. Pensando nas próximas gerações, o que será da carreira de médico? Aquela imagem do profissional de saúde de jaleco branco e estetoscópio atendendo o doente vai virar ficção?

 

Todas as profissões estão passando por transformações que são cada vez mais rápidas e que fazem parte da nossa evolução como Humanidade. Como já falamos, o médico também vem se adaptando. Eu percebo que os estudantes de medicina não vêm mais a profissão com o glamour com que era vista antigamente.

 

A verdade é que a medicina é uma profissão bonita, mas que tem importância como outra qualquer. Esta visão da medicina como um sacerdócio já caiu. Então, a imagem idealizada do médico vestindo branco, com o estetoscópio pendurado no pescoço, não existe mais.

 

Agora entre querer ser empreendedor ou não, esta dúvida surge também em outras esferas profissionais e não tem certo ou errado. O que não podemos perder é a essência da medicina que é definida pela empatia porque as situações que um médico vivencia exigem a capacidade de se colocar no lugar do outro. E esta empatia não pode ser perdida por aqueles que executam a assistência da saúde e nem por quem decidiu empreender na área medica. Quando empresas e organizações médicas mantém a empatia como princípio, mesmo sem vestir branco e ter estetoscópio durante o exercício profissional, a origem da medicina está preservada.

 

 

O desafio de oferecer um acesso à saúde de qualidade na melhor relação de tempo e recurso financeiro moveu um grupo de profissionais a se juntar para criar o CONECTA CONSULTA. Somos uma plataforma de telemedicina que acredita na revalorização da classe médica como pilar estratégico para uma entrega mais humanizada e com mais qualidade. Faça seu cadastro gratuito e experimente realizar teleconsultas com seus pacientes aqui no CONECTA CONSULTA.


Para ler a primeira parte da entrevista, clique aqui.